Racing Sá Silva

Luís Silva alvo de negligência ou sabotagem em Macau.

novembro 17, 2008 12:29 PM

     Luís Sá Silva teve uma estreia azarada no Circuito da Guia em Macau. Nos treinos livres problemas com os travões do Formula BMW, levaram a um abandono prematuro logo na quarta volta após uma saída de pista. “Ao aproximar-me da curva do Hotel Lisboa o carro simplesmente não travou como devia e acabei por dar um toque que danificou a suspensão e a asa dianteira”, disse o piloto angolano.
 
   “As qualificações vão ser um tremendo desafio porque a equipa vai reparar o carro mas não poderei testá-lo, pelo que nunca se sabe em que condições estará amanhã”, explicou Luís Sá Silva, que apenas teve duas horas de treino com um carro semelhante na pista de Zhuhai, na China. Nas qualificações o piloto de 18 anos viria a ficar-se pela 19ª posição entre 22 concorrentes e 25 inscritos, a cerca de 7 segundos do pole position. “Tal como esperava hoje foi um dia muito difícil, o carro travava muito mal, tive sempre de travar muito cedo, prejudicando os meus tempos. Senti-me muito bem nas zonas sinuosas e nas curvas rápidas, mas nas travagens o carro não correspondia. Na terceira volta tive de sair pela escapatória da curva do Hotel Lisboa para não bater nas barreiras e quando tentei acertar a distribuição dos travões para colocá-los com a travagem mais na dianteira do que atrás, o botão partiu-se”, disse Luís Sá Silva visivelmente agastado com a situação.
 
 
   No dia da corrida o piloto angolano esteve desde as primeiras horas da manhã reunido com o engenheiro para resolverem os problemas dos travões e analisarem os dados do computador. Na corrida o piloto de Angola, que foi obrigado a correr com as cores de Macau porque a sua licença desportiva foi emitida pela entidade federativa de Macau, fez um bom arranque. Na primeira passagem pela meta tinha subido ao 16.º lugar e na segunda volta estava 5 segundos mais rápido do que nas qualificações, ocupando a 14.º posição e demonstrando mais uma vez que é um piloto rápido e competitivo.
   No entanto à quarta volta o azar assombrou aquela que poderia ter sido uma corrida plena de recuperação. “Na segunda volta comecei a sentir vibrações no volante e o carro a não curvar devidamente. Tentei comunicar com a equipa via rádio mas o engenheiro não me ouviu. À quarta volta após a travagem e quando estava a efectuar uma curva o volante do carro pura e simplesmente soltou-se da barra de direcção.”
   Duas das três porcas de fixação do volante à coluna de direcção tinham caído e a terceira estava “presa por um fio” explicou o piloto. “Podia ter acontecido o pior se o embate ocorresse na curva do Hotel Mandarim, feita a uma velocidade de 220 km/h, porque iria direito ao muro. Tive muita sorte apesar de tudo”, disse o piloto ainda tenso.
  
 
   A equipa que se desdobrou em desculpas esclareceu que iria investigar os factos mas considerava muito estranho um volante soltar-se daquela forma, não colocando de parte um acto de sabotagem. Apesar de todos estes contratempos, o piloto angolano considerou que a sua participação foi positiva em termos de aquisição de experiência competitiva em circuitos citadinos, voltando aos comandos de um Formula Renault 2.0 para cumprir as duas últimas rondas do Campeonato Asiático, nos dias 6 e 7 de Dezembro de 2008.

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